domingo, 4 de outubro de 2015

Revolta



Tu és minha revolta
É o que me liberta
E ao mesmo tempo me afoga
Me traz pra perto e joga fora
Me recicla e depois se farta
Afogando-me em mar de sentimentos
Cada um puxando pro seu lado
Brigando e disputando minha vontade
Minha deixa, e minha alma
E deixando eu vou me levando
Me lavando de culpa e tendo limpa a mente
Por tudo ser coerente, fazer sentido
Sem precisar explicar, dar satisfações
Só eu sei o que sei
Então só eu vejo e sinto como é
Inconsequência ao planejar
Consciência ao se deixar viver
Paciência para esperar o que?

Pra mim tudo é real

Não Passa



Sim,

Assim como o vento que passa
Como os passos na praia
Ou uma risada da tarde passada

Fica, sim, fica
Mas fica longe

Bem longe dessa praça
Onde mais ninguém achou graça
Apenas o ruído de uma cara fechada
Que esperou uma carta

Carta escrita sem letras

Sem tinta, vírgula e folha amaçada
Pois palavra é só palavra
Que em um mês é comido pela traça
E é trocado por uma felicidade de fachada

Por que tá longe
Impedido, comprimido, sumido

Mais sumido que sorriso
E esse olhar desaparecido
E o silencio desse fim de domingo
Ou esse solitário fugido

Se perguntas se fica
Fica, sim, fica


Sim.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Cronica do Viajante Interno


 
   Acontece que mesmo com milhares de lugares andantes, não tem explorado um metro fora de seu quarto. Quer encontrar o mundo mas o procura em sua gaveta.

   Pode ser justamente por não haver mais sentindo em tentar proucurar, pelo menos em sua sala, ou quem sabe até no seu jardim. Por não ver sentido mesmo. Não que que seja inexistente um sol capaz de iluminar essas pupilas.

   E tentar proucurar na gaveta, é querer rememorar um dilúculo  irreconstituível.

   Por que é necessário arriscar machucar os pés ao querer andar descalço no jardim e no asfalto queimando, ou ao perambular pelas pedrinhas da estrada e nos espinhos ao desvendar o bosque, ou ao se equilibrar nos corais cortantes de uma praia.

   É mais fácil usar uma bota e se privar dos riscos... Mas também se perde a chance de deslumbrar as mais diversas sensações proporcionadas pela caminhada. E assim fica, parado, sem tentar, sem sair... Apenas ali, por desbravar apenas as cronicas internas irrelevantes, carentes de nexo, inicio e fim.

   Pés intactos, pensamentos sangrando.

   Volta pra gaveta, lá ficará, a proucurar, a brigar entre si e dentro de si até adentrar em si e se perder, se esquecer, se misturar, sacudir, implodir.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Liberdade Não Tem Preço


Uma noite
Um gesto
Uma palavra
Amor 
Eu senti, acolhi e vivi
Foi real, 
Foi mais que real
Em mim foi real
Por isso estou aqui
Foi real
Por isso eu insisto
Não me contento em cair
Persisto
Caio e reflito
levanto e brigo
Brigo mais e mais
Brigo mais um pouco
Apanho
Mas bato
Por que rezo
Por que prego
Por que canto
Por que me amo
Sou um homem levantado
Por que fui amado
Sou amado
Sempre serei
Por isso insisto
Por isso não desisto
Por isso estou aqui
Por isso eu sempre volto
Por isso eu acredito 
Não me deixo longe 
Não cultivo orgulho
Acredito no Maior
Acredito no Amor 
Então eu luto
Estou em luto
Por um homem que morreu
E por mais que tente
Jamais voltará
Por mais que insista
E perturbe
Não voltará
Por que estou de luto
Por um homem que morreu
E viveu pra Cristo 
E por isso luto
Apanho
Choro
Levanto
Luto
E venço
Por um Homem que morreu
E na manhã levantou
Com Ele eu levantei

Viva a radicalidade! 


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tão Belo



As arvores esperaram o vento passar
Mas suas folhas não foram sacudidas
Muito menos soltaram para voar
Presas pelo bem de apenas estarem ali
Escondidas, contidas pelo grande maior
Escondidas, encolhidas em lembranças infantis 
Escondidas, embutidas em saudades e visões
Escondidas, escolhida a dedo pelo jardineiro 
Correntes como o rio de março
Contemporâneas a risadas e brincadeiras 
Corridas e quedas no bosque da adolescência
Apenas se sabe que o milagre aconteceu 
Fez-se tão simples e explosivo 
A ponto de modificar meio mundo, todo um rumo.
Derrubando muros, gerando surtos.
Mas no fim construindo um todo
E o desejo da natureza constante e mutável 
É sempre manter vivo todo esse ciclo
Das folhas que mesmo que caiam
Sejam sobretudo adubos para o todo
E que o todo seja mesmo que às vezes tolo
Um grade florescer de novos sonhos

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

'-'


Calado escrevo esse silêncio
E sem som fazendo barulho
Por que o ar aqui já falta
E a vida precisa respirar
Os sinais dos ventos
Sopram pro sul
Sopram pro norte
E nada mais é questão de sorte
É questão de silêncio
Pra não ser só um momento
Mas uma bela estação
Que rompa o silêncio
E barulhentos possamos gritar
E na ponta do lápis escrever
As correspondências de cada velhinho
Que escreve sem ser respondido
Por que seu mensageiro morreu
E sim, ele escuta teu silêncio
Ele sabe o quanto é caro
Mas ele precisa desse tempo
Dessa viagem desconhecida
Que não tá muito longe de seu sentido
mas ele só quer paz
Pra te dar paz
E então pra traz olhar
E saber que na frente tudo será mais belo

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Amar Amando Mar


eu faço de conta que tô
eu faço de conta que fui
mas todo o mundo já sabe
que mesmo longe de tudo
aqui ainda estou
e eu sei que tô
e mesmo fugindo
buscando o sentido
sentindo tudo isso eu tô
e fugindo pro abismo
sorrindo sozinho
por não poder chorar contigo
destruo o abismo que sou
sacudindo a poeira
andando sem eira nem beira
até as arvores e a cachoeira
já sabem que sacudido eu tô
e mesmo não querendo
meu sangue ta ardendo
fervendo  e morrendo
gemendo de dor
todo esse momento
não será só um tormento
por que o sustento
será o teu calor
e no final desses tempos
sorrindo estaremos
por sabermos que tudo girou
como a criança brica bola
e pulando corda
eu sei que dou corda
pro sol não se olha
apenas se um gira sol você flor
mas grudados que cola
poesia e a canção que toca
de uma forma outra
dançaremos na aurora
e contando historia
escreverei tudo em prosa
sonhando com essa hora
a hora que vou
amando o mar
amando aqui está
sorrindo pro amor
amando essa cor
a cor do céu pra onde eu vô
pra falar do que sou
e que surgiu de uma flor
alamanda é a flor
cantando eu vô
até a Alemanha em um voo
só pra rimar, pra cantar
pra ser feliz na beira do mar