terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sobre o Entendido


Mesmo que falemos assim
Com essas meias palavras 
Com essas palavras que ficam no caminho
Nossos olhos sabem, e enxergam 
Que nesse caminho nossos olhos se cruzaram 
E pelo menos as minhas mãos 
Essas que aqui escrevem 
Querem as tuas tocar 
E por elas te falar 
Sem mais enrolar, fugir ou se esconder 
Tudo que tem me acompanhado 
Tudo que aqui se passa 
O que me digo 
E onde ando  esses dias

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Montanha Russa


Estamos indo embora?
Pra onde?
Pra nossas casas?
Pois já não sei onde  onde é a minha
Mas ao meu esconderijo
essa palavra se encaixa
E a esse labirinto que não é meu
Mas que insisto em chamar de minha casa
Só por que na tempestade me foi um abrigo

Mas esta casa está uma bagunça
Do teto ao porão, da entrada aos fundos
É preciso ordem no recinto
Repressão de todos os sentidos
E mesmo que tudo isso fuja do assunto
E as janelas estejam arrombadas
Essa montanha russa já me fez delirar
fujir, aquietar e revidar, sorrir e chorar
Até mesmo daqui do alto querer me jogar

Essa rima já está pobre
E o meu pensar já não respira
Pois essa montanha russa me sufoca
Pois já atravessartes a cortina
E sendo bom ou não
Provou da minha confusão aconchegante

E no misto de querer ir e ficar
Os meus olhos gritam mais
E te procuram
Mas só encontram névoa e orvalho
E acredite, preciso do escuro
Pra poder me reter e então respirar
Esquecendo e fazendo esquecer
Fugir sem ter que correr
E morrer sem deixar de viver
E meu semblante aqui sempre estará
Mas indiferente a essa aventura
Que de um ângulo é uma montanha russa
E de outro um escorrega bunda

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ventos de tempestade e psicodelía



O céu olha atentamente pra terra
E nela suspira seus ventos
Que investigam cada rua dessa cidade
E cada rua muitas são as casas
E uma dessas casas
Em uma dessas ruas
Dentro de algum beco
O céu volta suas estrelas como sentinelas
A procura do que existe, mas não se vê
A procura daquilo que não se pode ter
Procurando só por querer
Só para poder ver, e então saber
E ao percorrer a cidade
O vento esbarra em muitos reflexos
São vidros que protegem essas pequenas feras
Que cheias de amor para esconder
Torturam dia e noite a todos que ali ousam passar
Pois sabem que ali não se pode pisar
E estão ali incumbidas de aterrorizar
E cheias por se alimentarem de tal medo
Continuam a sorrir, e olhar pro mesmo olhar
Caçando a brisa da calmaria
Amedrontando os ventos de tempestade
Pois é assim mesmo que está a cidade
Em estado de devassidão
Sendo invadida por esses ventos
Que do céu vem só pra tirar a paz
De cada rua, de cada casa, de cada beco
Que era reinada pela ordem e sensatez
Essas que por aqui já não andam a tempos
Pois toda tranquilidade de acordar único
Se foi junto com harmonia de um quarto que era sereno
E hoje é habitado por esses ventos
E sabe o que pior? não se pode moldar o vento
São apenas vento... e dependendo da sua intenção

Pode trazer paz como pode jogar tudo pelos ares

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Não é hora de jogar tudo fora



Onde andas?

já se passou tanto tempo desde a ultima vez que te vi
Estavas com o mesmo sorriso de sempre
A conversa era boa, lembro de quando nos conhecemos
Cada letra era uma novidade, as quintas-feiras
Até o céu era diferente quando anoitecia
Ao pé da arvora a contemplar os nossos sorrisos

O tempo que hoje já não tenho nem pra lembrar
as tarde que gastávamos como se nem houvesse amanhã
inconsequentes sentimentos e olhares que me rodeavam as noite em claro
por que sempre era mais interessante os teus sms no meu celular velho
no meio da madrugada, as risadas que incomodavam roda rua
por que era feliz te conhecer e adentrar no teu ser, em meio teu viver
lembro de largar tudo, os caminhos, e os outros sorrisos efêmeros
por aquele que me conquistara de uma só vez
de cada gentileza e bajulação só pra agradar e querer bem
de segurar na sua mão pela primeira vez e sentir seu acanho
do teu abraço que acompanhava a calmaria de te ver
aquela incerteza sobre os passos dados a cada dia
e tudo que incrementava aquele mês março

faz tempo que nos encontramos, mesmo parecendo que te vi ontem
faz tempo que te vejo, faz tempo que não te acho
por que dentro de mim se perdeu  as lembranças
os fatos, as lutas, as angustias e cada dificuldade vencida
não sei qual é o sentido do meu viver desde que me perdi
desde que me encaminhei por caminhos descaminhados dos teus pés
não lembro foste embora, ou se eu fui
não lembro nem da ultima fez que te escrevi
não lembro da ultima vez que ouvi a tua voz

Foi eu que fui embora, mas estou perdido no caminho
e precisos de sua mão para preencher a minha vazia
Preciso me encontrar novamente em teus olhos, em teu mundo
que parti a muito tempo

já faz dois anos que fui feliz

Canta pre eu dormir essa noite? ... E depois durma ao telefone...

Sim, essas palavras saíram pelos olhos

sábado, 21 de dezembro de 2013

[...]



Pensei que o celular estava sem área
Mas não, era só um coração distante
Que já não bate mais como antes
O suficiente pra viver, sentir e quem sabe...
Em alguns fleches do corrido ciclo diário
Algumas lembranças doces
Daquilo que hoje é apenas distancia
E saber que não sabe de mais nada
É amargo, confuso e com algumas pitadas básicas
De saudade, dor e conflitos
Mas mesmo não admitindo
As tardes são sim, mais vazias
E assim será por longos e infintos anos
Que é o tempo que minha mente leva
Para se acostumar com toda nova estação
Defeito do coração é não saber distinguir
O que é primavera, o que é inverno
O que é beijo, o que é abraço
O que é cheiro, o que é sabor
O que é começo, o que é fim
O que é ponto em seguida e o que é reticencias ...

terça-feira, 9 de julho de 2013

Afogando-se


Sem ar,
O quem tem está amargo
E a apertar meu peito maltratando-me
A cada segundo me sinto mais sufocado

O que tem a sair, não o deixo
Sei que sou forte o suficiente pra isso
Só preciso de uma sombra
Talvez ela me desague de vez
E assim me sentirei livre desse peso

Essa pedra que não sou obrigado a carregar
Preciso me deitar em uma sombra
Para poder assim seguir o leito
E ser o leito, e o também o afluente

Afogado em sentimentos
Que a cada segundo ao fundo me levam
E mesmo estando afundando
Nenhuma gota sequer enfeita minha face
Apenas há frio a tremer meus lábios

A cada segundo mais apertado fica
Por cada ferida a sangrar em meu corpo
Que ninguém vê
Mas eu sinto, e doe, e sangra

Só Ele vê, só Ele sabe



sábado, 27 de abril de 2013

Eu sempre fui a melhor opção



Não importa quantos folhas caiam
Sempre estará na sua sombra o calor de um abraço
Se vento as levarem para longe
Em sua sombra estará para sempre lá as palavras
Palavras que sempre fizeram aquela alma sorrir por dentro

Em baixo de sua sombra, feridas foram curadas
Esperanças brotaram na primavera dos poemas
E por primavera passaram e se tornaram canções
Levando para sempre cada palavra em sua mente
E em cada eclipse uma duvida a mais era gerada

E nesse seio de sorrisos, carinhos e toques de dedos
Nasceram muito mais que simples esperanças e duvidas
Também foram geradas certezas
E cada folha que tocava o chão, decisões eram necessárias
Precisavam saber o que seriam das flores

Algumas viraram buquês, outras vagaram solitárias
Outras jogadas no buraco da morte, e outras morreram
Mas aquela que ali ficou na sombra da copa a espera
Aquela era diferente
E aquela que era diferente foi a que gerou muitas outras arvores
Para muitas outras sombras, pra muitos outros amores
Mas isso é outra historia bem menos interessante
Do que as palavras não ditas naquele final de verão

Talvez tenha sido melhor assim
Seus novembros jamais serão os mesmos
E o nada irá ocupar o lugar daquela flor
Ela sempre foi sua melhor opção
Era uma rosa sem espinhos
Que brotou na imaturidade um coração medroso
Que hoje jé é bem mais que um simples sorriso
Mais que um simples convite
A viver esse jogo de damas que ninguém entende

A sombra era perfeita, o jardineiro experiente
A terra era fértil, e a luz em abundancia
Mas não era ainda esse o jardim
Complicado? Complicado foi escrever sobre algo
Que ninguém sabe realmente o que foi
Eu acho que era uma flor na sombra da arvore